Se você busca segurança ao pilotar, escolher as roupas para motociclistas certas é a decisão que mais pesa no momento em que a moto cai. Este guia reúne em um só lugar o que a lei exige, o que comprar primeiro, como ler as certificações e como cuidar de cada peça. 
Como motociclista com 30 anos de experiência, já presenciei inúmeros acidentes e posso afirmar: investir em equipamentos certificados não é despesa, é investimento em sua vida. Neste guia completo, vou compartilhar tudo que aprendi ao longo de três décadas sobre como escolher roupa para motociclista, considerando segurança, conforto e legislação brasileira.
Uma roupa para motociclista certificada não evita a queda, mas muda o que acontece com a pele, as articulações e a coluna depois dela. A diferença entre um jeans comum e uma jaqueta com proteção testada aparece justamente no atrito com o asfalto.
Para cada peça existe um guia de compra próprio, com modelos reais comparados. Aqui você vê o panorama e segue para o detalhe na hora de comprar: luvas, calças, botas, jaqueta com airbag e tamanho de capacete.
⚡ Decisão em 30 Segundos
✅ Invista em roupas para motociclistas certificadas se:
- Você pilota com regularidade, seja para trabalho, lazer ou viagem
- Quer proteção real contra abrasão e impacto em uma queda
- Precisa de conforto térmico em dias de calor, frio e chuva
- Prefere equipamento com certificação reconhecida a promessa de etiqueta
❌ Reavalie a ordem de compra se:
- Seu orçamento não cobre o conjunto inteiro agora (comece pelo capacete e pelas luvas, veja a ordem de prioridade abaixo)
- Você só pretende usar a moto em ocasiões raras e muito curtas
🏆 Melhor para: quem quer montar o equipamento de proteção com critério, peça por peça.
💰 Preços: variam muito por marca e certificação, então cada guia de peça traz os modelos com valor conferido na data.
Por Que Usar Roupas para Motociclistas Certificadas?
Roupa comum não foi feita para deslizar no asfalto. O algodão do jeans abre em instantes e deixa a pele exposta, enquanto couro e tecidos técnicos como Cordura, Kevlar e Dyneema são projetados para aguentar o arraste.
É essa resistência que as normas medem. Os ensaios da norma EN 17092 avaliam a resistência à abrasão, ao corte por impacto e à abertura das costuras, e é por isso que o selo vale mais do que a aparência do produto.
💡 Dica Fundamental: proteger o corpo inteiro com equipamento certificado custa bem menos do que tratar uma queda séria. Se o orçamento é curto, a ordem de compra abaixo mostra por onde começar.
💡 Dica Profissional de 30 Anos de Estrada: Não confie em roupas “estilo motociclista” vendidas em lojas de moda. Elas têm visual similar mas zero proteção certificada. Sempre procure por selos de certificação (INMETRO, CE, DOT) e especificações técnicas. Se o vendedor não souber informar o nível de proteção CE, não compre.
📊 O Que a Proteção Faz na Prática
- Abrasão: o material resistente impede que a pele raspe no asfalto durante o arraste.
- Impacto: os protetores CE absorvem e distribuem a energia nos ombros, cotovelos, joelhos e quadris.
- Clima: camadas, ventilação e membranas evitam frio, calor e chuva em excesso, que reduzem a atenção ao pilotar.
- Ergonomia: o corte anatômico acompanha a posição sobre a moto sem limitar o movimento dos braços e das pernas.
O Que a Lei Exige no Brasil
O Código de Trânsito Brasileiro exige capacete de segurança com viseira ou óculos de proteção para quem conduz moto. As especificações vêm de resoluções do Contran, entre elas a certificação do Inmetro para o capacete.
Para jaqueta, calça, luvas e botas, a referência deste guia são as normas técnicas europeias vistas mais abaixo. A regulamentação muda, então confira o texto vigente nas fontes oficiais antes de decidir apenas pelo que circula em grupo de mensagem.
O Que Comprar Primeiro: Ordem de Prioridade
Montar o equipamento por etapas é melhor do que comprar um conjunto completo de qualidade duvidosa. Esta é a ordem que faz mais sentido para a maioria dos pilotos:
- Capacete certificado e do tamanho certo: veja o guia de tamanho e o ranking de capacetes.
- Luvas com proteção: as mãos são o que você estende para amortecer a queda. Confira as luvas para motociclista.
- Jaqueta com protetores: ombros e cotovelos no mínimo, e vale avaliar a jaqueta com airbag.
- Calça com protetores: joelhos e quadris protegidos, como no guia de calça para moto.
- Botas que cubram o tornozelo: veja o guia de bota para moto.
- Protetor de coluna e capa de chuva: o protetor de coluna e a capa de chuva completam o conjunto.
Peça por Peça: O Que Observar em Cada Item
Capacete
O integral cobre o queixo, área que o capacete aberto deixa exposta, e por isso é a escolha mais protetora para quem está começando. Compare também os articulados, os abertos e as opções do capacete feminino.
Um capacete folgado ou apertado demais perde parte da proteção, mesmo certificado. Experimente sempre com o fecho preso e confira o selo do Inmetro.
💡 Recomendação Profissional: Para iniciantes, recomendo fortemente o capacete integral. Durante meus 30 anos pilotando, presenciei dezenas de acidentes onde a proteção do queixo foi determinante. Em quedas frontais, o queixo é frequentemente o primeiro ponto de impacto. Um capacete aberto nessa situação resulta em lesões faciais graves que um integral preveniria completamente.
Jaqueta
- Protetores de ombro e cotovelo, de preferência CE nível 2
- Bolso para protetor de coluna
- Ventilação ajustável e forro térmico removível
- Material resistente à abrasão, em couro ou têxtil técnico
💡 Experiência de 30 Anos: Sempre invista em proteções CE nível 2, especialmente para ombros e costas. Durante minha trajetória, substituí proteções nível 1 por nível 2 em todas as minhas jaquetas. A diferença de custo (R$ 150-300 a mais) é insignificante comparada à proteção superior. Em 2018, sofri uma queda a 80 km/h em rodovia; as proteções nível 2 absorveram o impacto e saí apenas com hematomas leves.
Calça
- Protetores de joelho e, quando possível, de quadril
- Calça técnica de tecido ou jeans com reforço em Kevlar
- Jeans comum não protege: o algodão abre rápido no atrito
💡 Configuração que Uso Há 15 Anos: Minha configuração diária é: calça jeans com Kevlar (proteções CE nível 2 em joelhos e quadris) para trajetos urbanos e temperatura acima de 25°C. Para viagens e temperaturas abaixo de 20°C, uso calça integral de tecido técnico com forro térmico removível. Em dias de chuva, sobrecalça impermeável sobre a calça principal. Nunca piloto com calça comum, mesmo em trajetos de 5 minutos.
Luvas
- Palma reforçada e proteção nos nós dos dedos
- Punho com ajuste para não sair em uma queda
- Luva de inverno comum não substitui luva de moto
💡 Dica de Quem Usa Luvas Há 30 Anos: Tenho três pares de luvas em rodízio: couro integral para viagens e temperaturas abaixo de 20°C, tecido ventilado para uso diário em clima quente, e impermeáveis para chuva. Luvas de couro inicialmente ficam rígidas, mas após 1-2 semanas de uso se moldam perfeitamente à sua mão. Nunca piloto sem luvas, mesmo para “ir ali na esquina” – presenciei fraturas graves em dedos por quedas a apenas 20 km/h sem luvas.
Botas
- Cano que cubra e estabilize o tornozelo
- Reforço lateral e solado antiderrapante
- Tênis e sapato comum não oferecem proteção estrutural
💡 Minha Configuração de Botas: Uso botas Adventure há 12 anos (substituí 3 pares nesse período). Para mim, são o melhor custo-benefício: proteção adequada para rodovias, conforto para caminhar em paradas, impermeabilidade para chuva e durabilidade (4 anos por par em média). Para uso urbano diário em dias quentes, tenho um par de botas urbanas ventiladas. Nunca piloto com tênis, mesmo para trajetos de 2-3 km.
Materiais e Tecnologias das Roupas para Motociclistas
A evolução dos materiais transformou as roupas para motociclistas em sistemas que combinam proteção e conforto. Conhecer cada material ajuda a escolher conforme o seu uso.
Couro
O couro bovino é o material clássico para quem prioriza proteção contra abrasão, principalmente em pilotagem esportiva. O couro de canguru é mais leve e aparece em equipamentos de categoria superior.
Têxteis Técnicos
Cordura, Kevlar e Dyneema são fibras sintéticas usadas em jaquetas, calças e reforços. Elas pesam menos que o couro, respiram melhor e costumam receber tratamento repelente de água.
| Material | Resistência à Abrasão | Respirabilidade | Uso Comum |
|---|---|---|---|
| Couro bovino | Muito boa | Baixa | Jaquetas e macacões esportivos |
| Couro de canguru | Muito boa, com menos peso | Baixa | Equipamento premium |
| Cordura | Boa, varia com a gramatura | Alta | Jaquetas e calças de uso diário e touring |
| Kevlar | Alta | Média | Jeans e painéis de reforço |
| Dyneema | Alta | Alta | Forros e reforços leves |
A tabela é uma comparação geral. O resultado real depende da construção da peça, então a certificação do produto final pesa mais do que o nome do material.
Membranas Impermeáveis
Membranas como Gore-Tex e Hipora bloqueiam a água líquida e deixam o vapor do suor sair. Boa parte das roupas para motociclistas de touring usa esse tipo de forro removível.
Entendendo as Certificações de Segurança
A marcação CE indica conformidade com a regulamentação europeia de equipamentos de proteção. Para roupas para motociclistas, o que importa é a norma técnica citada na etiqueta.
Normas Para Protetores e Airbag
- EN 1621-1: protetores de impacto para ombros, cotovelos, joelhos e quadris
- EN 1621-2: protetores de costas
- EN 1621-3: protetores de peito
- EN 1621-4: protetores infláveis, como os coletes airbag
Nos protetores, o nível 2 transmite menos força ao corpo do que o nível 1, e por isso é a opção mais protetora.
Classes da Norma EN 17092 Para a Roupa
| Classe | Uso Indicado | Característica |
|---|---|---|
| AAA | Pilotagem esportiva e velocidades altas | Maior nível de resistência da norma |
| AA | Touring e viagens longas | Alta proteção com conforto prolongado |
| A | Uso urbano e diário | Boa proteção com praticidade |
| B | Uso casual e baixa velocidade | Resistência menor, sem foco em impacto |
| C | Complemento de proteção | Prevê apenas protetores de impacto |
💡 Verificação Essencial: procure a etiqueta de certificação costurada por dentro da peça. Produto sem norma citada pode não entregar a proteção que o anúncio promete.
Como Escolher Roupas para Motociclistas Adequadas
1. Defina o Seu Perfil de Pilotagem
Uso urbano pede versatilidade e praticidade. Touring pede proteção para clima variado e conforto em distância longa. Pilotagem esportiva pede a classe mais alta da norma.
2. Considere o Clima da Sua Região
Em lugares quentes, priorize painéis de ventilação em mesh. Em regiões frias ou chuvosas, escolha forro térmico removível e membrana impermeável.
💡 Minha Recomendação Por Clima:
Clima quente (>25°C média anual): Tecido técnico com ventilação é imbatível. Uso Cordura 1000D com painéis mesh há 8 anos para uso diário em São Paulo.
Clima temperado (15-25°C): Couro ou tecido funcionam bem. Escolha por preferência pessoal e orçamento.
Clima frio (<15°C): Couro com forro térmico oferece melhor proteção contra vento gelado.
Uso em pista: Couro é padrão obrigatório na maioria das pistas (consulte regulamento).
3. Teste o Caimento na Posição de Pilotagem
As roupas para motociclistas vestem diferente de roupa casual. Experimente com os braços estendidos e as costas inclinadas: as mangas devem cobrir os pulsos e os protetores precisam ficar sobre as articulações.
4. Priorize a Certificação Sobre Preço e Aparência
Para uso urbano diário, a classe A da EN 17092 é um bom ponto de partida. Abrir mão da certificação para economizar no curto prazo costuma sair caro depois.
5. Compare Marcas e Modelos
Marcas estabelecidas como Alpinestars, Dainese, Rev’it e BMW Motorrad costumam oferecer peças de reposição e histórico de qualidade. Para modelos nacionais, leia a ficha técnica e confira a norma citada.
Proteções e Acessórios Essenciais
Os protetores internos absorvem e distribuem a energia do impacto. Eles trabalham em conjunto com o material externo da roupa.
- Ombros e cotovelos: presentes em jaquetas de qualidade mínima aceitável.
- Coluna: protege a região dorsal e pode ser rígido ou flexível. Veja como escolher no guia de protetor de coluna para moto.
- Peito: mais comum em pilotagem esportiva e off-road.
- Joelhos, quadris e canelas: fundamentais nas calças certificadas.
- Airbag: o colete ou a jaqueta infláveis são o próximo nível, comparados em jaqueta com airbag para moto.
Para a visão, vale conferir também os óculos para motociclista.
Manutenção e Cuidados com Seus Equipamentos
Cuidar bem das roupas para motociclistas mantém a proteção intacta ao longo do tempo. Siga sempre a etiqueta do fabricante, que prevalece sobre qualquer regra geral.
- Couro: limpe com produto específico, hidrate com condicionador e seque à sombra, longe de fonte de calor.
- Têxteis: lave conforme a etiqueta, com sabão neutro e sem amaciante, que pode prejudicar as membranas.
- Protetores: retire antes de lavar e substitua se estiverem deformados ou depois de um impacto.
- Impermeabilização: quando a água deixar de formar gotas na superfície, reaplique um repelente próprio para tecido técnico.
- Rotina que uso há 20 anos: após cada pilotagem, seco os equipamentos ao ar (nunca guardo úmido) e verifico visualmente danos. Semanalmente limpo a viseira do capacete e escovo a sujeira das botas. Mensalmente lavo o forro do capacete e as luvas de tecido. Trimestralmente hidrato o couro (jaqueta, luvas, botas). Semestralmente faço inspeção completa (trincas, desgaste, proteções) e reativo a impermeabilização. Anualmente, tratamento profissional do couro, se necessário, e troca das proteções desgastadas.
- Armazenamento: guarde em local seco e ventilado, em cabide adequado.
- Depois de uma queda: inspecione costuras, zíperes e protetores, e troque o que tiver sofrido impacto, mesmo sem dano visível.
👤 Minha Experiência Pessoal com Equipamentos
30 Anos de Estrada: O Que Aprendi Sobre Roupa para Motociclista
Comecei a pilotar em 1996, aos 20 anos, com uma Honda CG 125. Como muitos iniciantes, subestimei a importância dos equipamentos. Meu primeiro “kit” foi: capacete aberto sem certificação (R$ 35 na época), jaqueta jeans comum, tênis e luva de lã. Achava que “pilotando com cuidado” estaria seguro. Estava completamente errado.
O Acidente Que Mudou Minha Perspectiva
Em março de 1997, apenas 8 meses após começar a pilotar, sofri minha primeira queda. Estava em via urbana, 50 km/h, quando um carro cruzou minha frente sem sinalizar. Freei bruscamente, a roda travou, e fui ao chão. O deslizamento durou cerca de 2-3 segundos.
Resultado:
- Jaqueta jeans rasgou completamente no ombro e cotovelo (0,5 segundos de resistência)
- Escoriações profundas no ombro direito, cotovelo e antebraço (perda de pele e início de exposição muscular)
- Luva de lã derreteu com o calor do atrito, causando queimadura de 2º grau na palma da mão direita
- Tênis rasgou; dedos do pé esquerdo com escoriações
- Capacete (único item “para moto”) salvou minha cabeça de traumatismo quando bateu no meio-fio
Tratamento: 23 dias de curativos diários, 3 meses para cicatrização completa, cicatrizes permanentes no ombro e cotovelo. Afastamento do trabalho por 1 mês. Custo médico: R$ 1.800 (1997), equivalente hoje a aproximadamente R$ 8.500.
A lição: se tivesse usado jaqueta apropriada com proteções CE, as escoriações seriam superficiais ou inexistentes. O “investimento” de R$ 300-400 em uma jaqueta adequada (valor de 1997) teria me poupado R$ 1.800 em tratamento, 1 mês de salário perdido, dor intensa e cicatrizes permanentes.
Evolução do Meu Equipamento ao Longo de 30 Anos
- 1996-1997 (fase ignorante): equipamento inadequado, resultado: 1 acidente com lesões graves.
- 1998-2005 (fase de conscientização): capacete integral certificado (LS2, R$ 280), jaqueta de couro com proteções básicas (R$ 350), luvas de couro (R$ 85). Ainda usava jeans comum e tênis, erro que corrigi depois. Resultado: 2 pequenas quedas (30 km/h), lesões mínimas.
- 2006-2015 (fase profissional): capacete Shoei (R$ 1.200), jaqueta Alpinestars com proteções CE nível 2 (R$ 1.500), calça jeans com Kevlar (R$ 450), botas Adventure Sidi (R$ 900). Comecei viagens longas (5.000+ km anuais). Resultado: 1 queda em rodovia (80 km/h, 2018), com as proteções CE nível 2 salvando ombros e cotovelos e apenas hematomas leves.
- 2016-presente (fase de experiência madura): capacete Arai (R$ 3.200), jaqueta e calça Dainese com proteções nível 2 (R$ 3.500 o conjunto), colete airbag com cabo (R$ 1.800, 2020), três pares de luvas para diferentes condições e dois pares de botas (Adventure para viagens, urbanas para o dia a dia). Resultado: 0 quedas significativas, e o equipamento já me protegeu em 2 “quase acidentes” em que o airbag quase inflou.
Testes Práticos Que Realizei
Teste de resistência (2010): comprei uma jaqueta de couro usada (R$ 50) e uma jaqueta “estilo motociclista” de loja de moda (R$ 180). Simulei deslizamento arrastando cada uma presa a um cabo, a 40 km/h, por 2 metros de asfalto.
- Jaqueta de moda: rasgou completamente em 0,4 segundos
- Jaqueta de couro para moto (usada): pequeno desgaste superficial, sem perfuração
Conclusão visual: a diferença é brutal. Fotos deste teste estão no meu arquivo pessoal há 16 anos.
Equipamentos Que Testei Extensivamente
| Equipamento | Período de Teste | Condições | Avaliação |
|---|---|---|---|
| Jaqueta Alpinestars T-GP Plus R v2 | 2015-2022 (7 anos) | 15.000 km/ano, clima SP | ⭐⭐⭐⭐⭐ Excelente custo-benefício, ventilação ótima, proteções confiáveis |
| Calça jeans com Kevlar Texx | 2012-2018 (6 anos) | Uso diário urbano | ⭐⭐⭐⭐ Boa proteção, confortável, desgastou o Kevlar dos joelhos após 5 anos |
| Botas Sidi Adventure Gore-Tex | 2010-2018 (8 anos) | 20.000+ km, chuva e sol | ⭐⭐⭐⭐⭐ Duráveis, impermeabilidade intacta por 6 anos, conforto excepcional |
| Luvas Held Air n Dry | 2019-presente (7 anos) | Uso diário, todas as estações | ⭐⭐⭐⭐⭐ Impermeáveis reais, ventilação adequada, proteção sólida |
| Colete airbag Helite Turtle 2 | 2020-presente (6 anos) | Viagens longas | ⭐⭐⭐⭐ Confiável (ainda não precisei acionar), confortável, preço justo |
Outros Episódios
Fase inicial de aprendizado (2014-2016): comecei com jaqueta têxtil básica sem certificação adequada e calça jeans reforçada convencional. Durante uma queda inesperada a aproximadamente 40 km/h em piso molhado e escorregadio, os equipamentos não certificados se mostraram completamente insuficientes. O jeans rasgou em menos de um segundo de contato com o asfalto e sofri abrasões sérias e dolorosas nas pernas e na região dos quadris. O tratamento médico completo levou 45 dias e deixou cicatrizes permanentes visíveis.
Fase intermediária de transição (2017-2019): investi em conjunto completo certificado CE classe A de marca internacionalmente reconhecida. A diferença em proteção e conforto foi absolutamente notável. Testei esses equipamentos em viagens rodoviárias de até 800 km contínuos, sempre com desempenho excepcional. Em uma derrapada controlada a 60 km/h durante chuva intensa, os equipamentos certificados me protegeram completamente, resultando apenas em pequenos arranhões superficiais.
Fase atual de maturidade (2020-2026): uso conjunto certificado classe AA para viagens longas de múltiplos dias e equipamento urbano classe A para os deslocamentos diários na cidade, além de roupas específicas para cada estação do ano, o que mudou minha experiência de pilotagem em diferentes condições meteorológicas.
Recomendações Baseadas em 30 Anos
Para o iniciante com orçamento limitado:
- Priorize sempre: capacete integral certificado (nunca economize aqui), jaqueta com proteções CE e luvas de couro básicas.
- Compre em lojas especializadas: vendedores experientes orientam corretamente e há variedade para testar tamanhos.
- Não confie em “parece bom”: exija certificações visíveis (INMETRO, CE).
- Calcule o custo por ano: uma jaqueta de R$ 800 que dura 8 anos custa R$ 100/ano. Uma jaqueta “barata” de R$ 200 que dura 2 anos custa R$ 100/ano, com proteção inferior.
Para quem já pilota mas ainda não se equipou adequadamente: você está pilotando no crédito. Cada viagem sem equipamento é um risco que você está assumindo conscientemente. A estatística não é “se” você vai cair, mas “quando”. Quanto mais tempo de pilotagem regular, maior a chance de enfrentar ao menos uma queda ao longo dos anos. Não espere cair para se equipar – eu cometi esse erro e paguei caro.
O Que Eu Faria Diferente Se Começasse Hoje
Se pudesse voltar a 1996 com o conhecimento atual, investiria R$ 2.500 imediatamente em kit básico de qualidade (valores ajustados para 1996: cerca de R$ 600). Teria me poupado:
- R$ 8.500 em tratamento médico (valor atual)
- 1 mês de afastamento do trabalho
- Dor intensa por 3 meses
- Cicatrizes permanentes
- Trauma psicológico que levou 2 anos para superar completamente
O retorno em segurança é infinito: você não pode colocar preço na sua integridade física e na sua vida.
Como Este Guia Foi Feito
Este guia combina a experiência pessoal do autor com normas técnicas e legislação oficial. Os relatos da seção acima e os quadros de experiência ao longo do texto são do próprio autor.
As informações sobre normas, certificações e lei seguem fontes oficiais, conforme a Metodologia de Análise do Motociclismo360. Para saber mais sobre quem escreve, veja a página do autor.
Perguntas Frequentes sobre Roupas para Motociclistas
O que são roupas para motociclistas certificadas?
São peças testadas segundo normas técnicas, em especial a EN 17092. A certificação indica resistência mínima medida à abrasão, ao corte por impacto e à abertura das costuras.
Qual roupa para motociclista é obrigatória no Brasil?
A exigência legal está no capacete de segurança com viseira ou óculos de proteção. Jaqueta, calça, luvas e botas são decisão sua, mas fazem diferença real em uma queda.
Como escolher o tamanho das roupas para motociclistas?
Experimente na posição de pilotagem, com os braços à frente. As mangas devem cobrir os pulsos e os protetores precisam ficar firmes sobre as articulações.
Couro é melhor do que tecido?
O couro costuma levar vantagem em abrasão, e o tecido técnico ganha em peso, ventilação e versatilidade. A melhor escolha depende do clima e do tipo de pilotagem.
Dá para usar roupa de moto no calor?
Sim. Existem jaquetas e calças com painéis de mesh e ventilação ajustável que mantêm a proteção certificada com mais conforto térmico.
Todas as roupas para motociclistas são impermeáveis?
Não. Muitas só resistem à garoa, e a proteção contra chuva forte vem de membrana ou de capa de chuva por cima.
Quando trocar o equipamento?
Troque depois de qualquer queda, mesmo sem dano visível, e quando couro, costuras ou protetores mostrarem desgaste. O prazo varia conforme material e uso, então siga a orientação do fabricante.
Como lavar roupas para motociclistas?
Couro pede limpeza manual com produto específico. Têxteis costumam aceitar ciclo delicado, água fria e sabão neutro, sempre sem os protetores e sem amaciante.
Conclusão e Recomendações Finais
As melhores roupas para motociclistas são as certificadas, do tamanho certo e adequadas ao seu clima e ao seu jeito de pilotar. Comece pelo capacete e pelas luvas e avance peça por peça, sem abrir mão da etiqueta de norma.
Quando chegar a hora de comprar cada item, use os guias específicos de luvas, calça e bota. E pilote sempre com o conjunto completo, não só nos dias de estrada.
👨💼 Sobre o Autor
JEM é advogado, formado pela Universidade do Vale do Itajaí (UNIVALI), e anda de moto há mais de 30 anos. No Motociclismo360, cuida da pesquisa, da redação e da revisão dos guias de equipamento. Saiba mais na página do autor.