Kit Relação para Moto: Guia Completo de Troca e Manutenção

O kit relação é o conjunto que leva a força d o motor até a roda traseira da moto. Sem ele, o motor gira e a moto não sai do lugar. Ainda assim, esse ite m costuma ser lembrado só quando aparece barulho, tranco na aceleração ou a corrente começa a “pular”. Entender como o kit relação funciona ajuda a rodar com mais segurança, economizar combustível e evitar uma troca antes da hora.

Neste guia você vai ver o que é o kit relação para moto, os tipos de corrente, como ler a numeração (420, 428, 520, 525 e 530), os sinais de desgaste, os cuidados de manutenção e como escolher o kit certo para a sua motocicleta.

O que é o kit relação para moto

Kit relação para moto
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O kit relação, também chamado de kit de transmissão secundária, kit tração ou simplesmente “relação”, é formado por três peças que trabalham juntas: pinhão, coroa e corrente. Na maioria das motos ele fica do lado esquerdo e conecta a saída da caixa de câmbio à roda de trás. Ele forma a chamada transmissão secundária; a transmissão primária fica dentro do motor, entre o virabrequim e a embreagem.

Pinhão

É a engrenagem menor, presa ao eixo de saída do motor. Gira rápido, tem poucos dentes e sofre desgaste acentuado. Um dente a mais ou a menos no pinhão muda de forma perceptível o comportamento da moto.

Coroa

É a engrenagem grande, fixada na roda traseira. Pode ser de aço (mais resistente, ideal para rua e estrada) ou de alumínio (mais leve, comum em competição, com vida útil menor). É a peça mais fácil de inspecionar a olho nu.

Corrente

É o elo flexível que une pinhão e coroa. É a parte que mais exige manutenção, pois trabalha exposta a poeira, água e lama. Sem folga correta, lubrificação e alinhamento, a corrente arrasta as engrenagens para um desgaste acelerado.

Tipos de corrente: com e sem retentor

Corrente moto com e sem retentor macro
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A principal diferença entre as correntes é a presença ou não de retentores, os anéis de vedação entre as placas de cada elo.

  • Sem retentor: mais barata e leve, indicada para motos de baixa cilindrada e uso leve. Exige lubrificação frequente e dura menos.
  • Com retentor: possui anéis (O-ring, X-ring ou W-ring) que mantêm a graxa de fábrica dentro dos roletes. Dura mais, aguenta mais carga e é indicada para média e alta cilindrada. Custa mais e tem leve acréscimo de atrito. Os perfis X-ring e W-ring costumam durar mais que o O-ring tradicional.

Internamente, toda corrente é feita de placas externas e internas, pinos, buchas e roletes. É entre essas peças que a lubrificação precisa chegar, e é por isso que passar lubrificante só por fora tem pouco efeito.

A numeração da corrente: de 420 a 530

Os números indicam o passo (distância entre os pinos) e a largura da corrente. Quanto maior o número, mais robusta ela é. De forma geral:

  • 420: passo de 1/2 polegada, estreita. Motos de trabalho e street de baixa cilindrada.
  • 428: mesmo passo, porém mais larga. Comum em motos de 125 a 180 cc.
  • 520: passo maior e corpo reforçado. Média cilindrada e conversões esportivas para reduzir peso.
  • 525: mais larga que a 520, para alta cilindrada e mais torque.
  • 530: a mais reforçada, para motos grandes, de turismo e uso pesado com garupa ou bagagem.

Regra prática: use sempre a numeração indicada no manual da moto. Trocar por uma corrente mais fina sem critério compromete a segurança.

NumeraçãoCaracterísticaAplicação
420Passo 1/2″, estreitaMotos de trabalho e street de baixa cilindrada
428Mesmo passo, mais largaMotos de 125 a 180 cc
520Passo maior, corpo reforçadoMédia cilindrada, conversões esportivas
525Mais larga que a 520Alta cilindrada, mais torque
530A mais reforçadaMotos grandes, turismo, uso pesado

Como funciona a relação de transmissão no kit relação para moto

A relação final é o número de dentes da coroa dividido pelo número de dentes do pinhão. Uma moto com coroa de 45 dentes e pinhão de 15 tem relação 3,00. Mexer nesses números muda o caráter da moto:

  • Encurtar a relação (mais dentes na coroa ou menos no pinhão): mais torque e aceleração, melhor em cidade e subidas, porém menor velocidade final e motor girando mais alto na estrada.
  • Alongar a relação (menos dentes na coroa ou mais no pinhão): maior velocidade final e motor mais tranquilo em rodovia, ao custo de aceleração mais lenta.

Um dente para cada lado já é sentido. Mudanças maiores podem exigir mais elos na corrente e alterar a leitura do velocímetro, só faça sabendo o efeito desejado. Vale lembrar que a relação também influencia a rotação em velocidade de cruzeiro: uma relação mais longa reduz o giro a 100 km/h, o que ajuda no consumo e no ruído em viagem.

Sinais de que o kit relação está gasto

Kit relacao moto coroa dente gancho desgaste
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  • Folga irregular: ao girar a roda devagar, há trechos frouxos e trechos esticados.
  • Elos “duros”, que não dobram com facilidade.
  • Dentes da coroa ou do pinhão em formato de gancho ou de onda.
  • Corrente que parece “escalar” os dentes da coroa sob aceleração.
  • Ruído metálico, estalos e trancos ao acelerar ou desacelerar.
  • Necessidade de regular a folga cada vez com mais frequência, chegando ao fim do curso do esticador.

Um único desses sinais já pede inspeção. Corrente que salta em movimento pode travar a roda traseira e causar queda.

Melhores kits relação para moto

Kit relacao cg 160 novo embalado
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A escolha começa pela aplicação certa para a sua moto. Abaixo estão dois kits verificados para a linha Honda CG 160, uma das famílias mais comuns nas ruas do Brasil. Um traz retentor de fábrica na versão original, o outro é sem retentor. Confira preço atual e disponibilidade na página de cada produto.

Kit Relação CG Titan Fan 160 Original Riffel

Kit original Riffel na cor cinza, para CG 160 nos anos 2022, 2023 e 2024. Vem com coroa de 44 dentes, pinhão de 15 dentes e corrente 428H com 118 elos, em aço 1045. A aplicação cobre CG 160 Titan, Fan, Start e Cargo. É a opção para quem quer manter a numeração e o padrão de fábrica na troca. Ver no Mercado Livre.

Kit Relação DID CG 160 Fan Sem Retentor 44/15T

Kit da DID sem retentor, com coroa de 44 dentes, pinhão de 15 dentes e corrente 428HS de 118 elos. A fabricante indica a corrente para motos de até 450 cc. O código do produto é DID076829. Sem retentor, ele pede lubrificação mais frequente, e entrega peso menor e preço de entrada. Ver no Mercado Livre.

Os dois kits acima são para Honda CG 160 e modelos similares da mesma linha. Para outra moto, confira no manual a numeração da corrente, os dentes de pinhão e coroa e o número de elos, e escolha o kit correspondente à sua aplicação.

KitCoroa/PinhãoCorrenteRetentor
Riffel CG Titan Fan 160 Original44/15 dentes428H, 118 elos, aço 1045Versão original de fábrica
DID CG 160 Fan 44/15T44/15 dentes428HS, 118 elos (até 450cc)Sem retentor

Quando trocar o kit relação para moto e por quê

A vida útil varia bastante. Um kit sem retentor, com uso urbano e lubrificação irregular, pode pedir troca antes dos 15.000 km. Um kit com retentor bem cuidado passa dos 30.000 km. Chuva, lama, trilha, excesso de peso e falta de lubrificação reduzem esse número.

A recomendação é trocar as três peças juntas. Pinhão, coroa e corrente desgastam de forma acoplada e “casam” o perfil de desgaste entre si. Uma corrente nova sobre coroa e pinhão gastos se desgasta rápido, aumenta o risco de salto de dente e anula a economia.

Como escolher o kit relação para moto ideal

  • Comece pelo manual: ele traz a numeração da corrente, os dentes de pinhão e coroa e o número de elos originais.
  • Escolha com ou sem retentor conforme a cilindrada e o uso: sem retentor para moto de entrada e trajetos curtos; com retentor para média/alta cilindrada, viagem ou garupa.
  • Prefira marcas com procedência e nota fiscal. Kit muito barato costuma ter aço inferior e vida curta.
  • Mantenha o número de dentes original, a não ser que queira mudar de propósito o comportamento da moto.
  • Para rua, prefira coroa de aço; alumínio só compensa em competição.
  • Verifique a emenda: elo com clipe (mais simples de montar) ou corrente rebitável (mais segura em motos potentes).

Manutenção que faz o kit relação durar mais

Lubrificação

💡 Lubrifique a cada 500 km

Lubrifique a corrente a cada 500 km, em média, e sempre após chuva, lama ou lavagem, aplicando na parte interna dos elos com a corrente levemente aquecida. Remova o excesso para não atrair poeira.

Limpeza

Antes de lubrificar, limpe a corrente com escova e querosene ou desengraxante próprio. Em correntes com retentor, evite solventes agressivos e jato de água em alta pressão sobre os anéis de vedação.

Regulagem da folga

Meça a folga no ramo inferior da corrente, no meio entre as engrenagens, com a moto no cavalete e sem peso. O valor típico fica entre 2 e 4 cm, mas o correto é o do manual. Corrente frouxa demais pode sair; esticada demais força rolamentos e o retentor de saída do câmbio.

Alinhamento da roda

Ao regular a folga, confira as marcas graduadas nos esticadores dos dois lados da balança, as medidas precisam ser iguais. Roda desalinhada desgasta corrente e coroa de um lado só e prejudica a estabilidade.

Instalação do kit relação para moto: dá para fazer em casa?

Com ferramenta e experiência, dá para trocar um kit com corrente de elo com clipe. A corrente rebitável exige alicate rebitador específico e é mais indicada para oficina. Em ambos os casos, atenção a alguns pontos:

  • O clipe do elo mestre vai com a abertura voltada para o lado contrário ao sentido de giro.
  • A porca da coroa precisa do torque correto e, muitas vezes, de trava.
  • Folga e alinhamento devem ser refeitos ao final.
  • Após alguns quilômetros, a corrente nova “assenta” e a folga aumenta, reajuste.

O kit relação é item de segurança: se a corrente sair ou travar em movimento, pode bloquear a roda traseira. Na dúvida, procure um mecânico de confiança.

Depois de acertar o kit relação para moto, dois outros pontos de manutenção valem a mesma atenção: o óleo de motor certo e a troca de manopla, quando ela já estiver dura ou gasta.

Perguntas frequentes sobre kit relação

Posso trocar só a corrente?

É possível, mas não é recomendado. A corrente nova trabalha sobre dentes gastos, se desgasta mais rápido e aumenta o risco de salto. A economia dura pouco.

Qual a diferença entre corrente com e sem retentor?

A com retentor tem anéis que seguram a lubrificação de fábrica dentro dos roletes: dura mais e aguenta mais carga, porém custa mais. A sem retentor é mais barata e leve, mas exige lubrificação frequente e dura menos.

Kit relação mais curto deixa a moto mais rápida?

Mais rápida na aceleração, não na velocidade máxima. Encurtar a relação melhora a resposta em baixa e média rotação, mas reduz a velocidade final e pode aumentar o consumo na estrada.

A corrente com elo de emenda é segura?

Sim, quando o elo é do tipo e da marca corretos e o clipe é montado no sentido certo. Em motos de maior potência e torque, ainda assim a corrente rebitável é a opção mais indicada, por não depender de um clipe que pode se soltar.

Quanto tempo dura um kit relação?

Depende do tipo e da manutenção: de menos de 15.000 km em uso pesado sem retentor a mais de 30.000 km com retentor bem cuidado. Lubrificação, folga e alinhamento são o que mais pesam.

Conclusão: escolhendo o kit relação para moto certo

O kit relação para moto parece simples, mas define aceleração, velocidade de cruzeiro, consumo e segurança. Escolher a corrente pela numeração do manual, decidir entre com ou sem retentor conforme o uso, trocar as três peças juntas e manter lubrificação, folga e alinhamento em dia é o caminho para rodar tranquilo e gastar menos. Ao primeiro sinal de folga irregular, dente em gancho ou barulho na aceleração, faça a inspeção: poucos investimentos em segurança custam tão pouco quanto um kit relação em bom estado.

Kit Relação Para Moto é uma decisão que vale revisar com calma. Releia as seções acima sempre que a dúvida sobre kit relação para moto voltar antes de fechar a compra.

Sobre o autor: Cláudio Borges é engenheiro eletricista com 22 anos de experiência com motociclismo. Escreve sobre manutenção e escolha de peças para ajudar quem anda de moto no dia a dia.

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